Quinta-feira, Maio 28

' what about cigarettes? '
' well, i don't recommend them, but i smoke them. '

elliot, elliot.

Domingo, Março 15

Nunca fui de ter inveja, mas de uns tempos pra cá tenho tido.
As mãos dadas dos amantes tem me tirado o sono.
Ontem, desejei com toda força ser a moça do supermercado.
Aquela que fala do namorado com tanta ternura.
Mesmo das brigas ando tendo inveja.
Meu vizinho gritando com a mulher, na casa cheia de crianças,
sempre querendo, querendo.
Me disseram que solidão é sina e é pra sempre.
Confesso que gosto do espaço que é ser sozinho.
Essa extensão, largura, páramo, planura, planície, região.
No entanto, a soma das horas acorda sempre a lembrança
do hálito quente do outro. A voz, o viço.
Hoje andei como louca, quis gritar com a solidão,
expulsar de mim essa Nossa senhora ciumenta.
Madona sedenta de versos. Mas tive medo.
Medo de que ao sair levasse a imensidão onde me deito.
Ausência de espelhos que dissolve a falta, a fraqueza, a preguiça.
E me faz vento, pedra, desembocadura, abotoadura e silêncio.
Tive medo de perder o estado de verso e vácuo,
onde tudo é grave e único. E me mantive quieta e muda.
E mais do que nunca tive inveja.
Invejei quem tem vida reta, quem não é poeta
nem pensa essas coisas. Quem simplesmente ama e é amado.
E lê jornal domingo. Come pudim de leite e doce de abóbora.
A mulher que engravida porque gosta de criança.
Pra mim tudo encerra a gravidade prolixa das palavras: madrugada,

mãe, ônibus, olhos, desabrocham em camadas de sentido,
e ressoam como gongos ou sinos de igreja em meus ouvidos.
Escorro entre palavras, como quem navega um barco sem remo.
Um fluxo de líquidos. Um côncavo silêncio.
Clarice diz, que sua função é cuidar do mundo.
E eu, que não sou Clarice nem nada, fui mal forjada,
não tenho bons modos nem berço.
Que escrevo num tempo onde tudo já foi falado, cantado, escrito.
O que o silêncio pode me dizer que já não tenha sido dito?
Eu, cuja única função é lavar palavra suja,
nesse fim de século sem certeza?
Eu quero que a solidão me esqueça.

(viviane mosé)

Sábado, Março 14

Ser poeta não é uma ambição minha. É a minha maneira de estar sozinho.

Quarta-feira, Março 11

E o peito dizendo que hoje é dia de poesia forte, palpável, como essas tempestades inconstantes que acontecem depois do sol que insistia em me lembrar dos nossos cantinhos e das nossas palavras. É, estou falando daquela mesa de madeira e os copos e os livros rodando nas nossas cabeças apaixonadas. Sobre a nossa paixão pela literatura e pela música.

Terça-feira, Março 10

Estou criando um personagem, um alter ego.

Segunda-feira, Março 2

Tem dias que a escrita não me salva, não me livra do medo, da perda, do sufoco e dos trinta nós na garganta. Fica, cidade cinza, fica.

Sábado, Fevereiro 28

Eu li aquelas palavras de uns meses aí que não se perderam e eu pensei de novo nas mãos e na camiseta pertinho. Em você me parece bom.
Tem uma luzinha azul forte e ela me diz que vai ficar tudo bem. Que alegria louca.


still feeling blue, still feeling blue, still feeling blue
Me trouxe um samba interminável, incansável. Vamos pisar na avenida, sentar em qualquer bar de esquina e se embebedar do que somos, do que existe por dentro.
Meu bem, eu não vou esquecer das nossas ruas, da sinceridade ou do nosso sorriso mais bonito. Guardo sem parar, sem acabar e eu que antes vivia descrente só quero seguir amando, fumando e tomando uma cachaça com você. Obrigada por deixar meu coração vibrante.

Quarta-feira, Fevereiro 11

A cabeça tava fora do lugar e a conversa ia fluindo e fluindo em qualquer boteco (ou lanchonete). 52 álbuns e uns muitos livros e a certeza de que 1933 foi um ano ruim, mas esse não vai ser. Já consigo nos ver pelas ruas de Los Angeles berrando o que vai ficar dessas férias loucas: a música (Tom Waits, Rilo Kiley, Dylan, Muse - e mais mais mais. Sou música o tempo todo). E clichê o meu caralho, clichê é o que todo mundo quer fazer mas não faz, certo? Por isso sou (somos) o contrário daqui.

Exterior no fim do ano, pra sair um pouco dessa interiorização fodida a qual me prendi nos ultimos meses. Esse mundo gigante (que nem o meu coração) e essa liberdade gritante. Vou viajar por ele todo, ainda. Sou de todo lugar.

CERRADO EU TE AMO! mas deixa eu ir la pro meu sudeste, vai. Quero e preciso da cidade e das cores (if you know what i mean)

Sou tanta felicidade que não cabe. Mentira, cabe. Cada canto do meu corpo está lotado de amor. NOTHING BUT HAPPINESS! Então é agora que eu digo que estou contente outra vez.

' então uma hora ali no meio eu olhei para um lado, depois para o outro e depois para mim e pensei : ah, então isso é deus. agora eu entendi. '


aiaiaiaiaiaiai to flutuando e esse rockzinho independente aqui dizendo que pode ser noite ou dia pinga pura ou caipirinha eu não faço restrição só quero caaaaaosss badernaçããããoooo

Segunda-feira, Fevereiro 9

' (...) até se esgotar, até cansar, até valer a pena. Até o cansaço ser sinônimo de alma inchada de amor. '
caralho, já disse, já expliquei, vocês não sabem de nada, vocês não entendem, não conhecem, não querem,
confiam em tudo que lêem (e não lêem). 
pro inferno então.


sobre o resto só tenho a dizer comes love and nothing can be done, comes love and nothing can be done, 
comes love and nothing can be done.
Olheiras, estômago ruim, dor de cabeça. Merda.

Domingo, Fevereiro 8

eu só te trago pros meus devaneios se depois eu puder te tragar. 
(e as palavras todas misturadas e a pele se misturando, poetizando)
tu veio e me fez tremer nas mãos, nas coxas, nos pés.

Sábado, Fevereiro 7

bem pertinho me disse que eu tinha gosto de baunilha.
você lotou meus olhos.
calma, pode ser só um pedaço de loucura. pode ser falta de sobriedade. pode ser alimento pra mim. pode ser que eu não respire direito se não fizer isso, se não escrever. calma, que nem tudo na escrita é verdade ou tá acontecendo ou que seja. é que até minhas mentiras são sinceras demais.
amanheceu nublado, ventando, eu saí na rua e andei muito, pra sentir
aí esquentou
sem querer.
à noite, coloca as mãos nas minhas
escorre sobre o meu corpo enquanto vou mostrando os meus sorrisos pra você
acende um cigarro agora, que depois eu queria sair na chuva, assim, cantando e fazendo música
rimando bobagem qualquer
e comprovar que estou, de fato, fora de mim
por estar dentro de você.
daí a gente pode derreter, se dissolver um no outro

there's a song, there's a song

Quinta-feira, Fevereiro 5

A sinceridade nessas minhas palavras é inevitável. Vai ficar tanto desses dias de falar da vida e de como o mundo vai girando girando girando e a gente devagar (pra não faltar amor). Esse trust todo, esses espelhos que vão passando por mim e não tem vergonha de nada, seja do rock antigo ou das histórias que escuto e conto. Como eu guardo. Ontem olhei em volta e percebi que eu era só ' homesick ' e ' heartwarming '. Queria escrever naquela hora, mas estava ali, vivendo e gritando nostalgia com os demais. Toda aquela música. La musica és mi pasión! É, as frases não estão muito ligadas, é que tem um turbilhão de sentimentos me atravessando, daí eu decidi colocar aqui da forma mais real possível. Desde meu soninho da tarde até as horas e horas e horas que ninguém vê passar, porque tá fora do espaço e do tempo. Não tem quase pra mim, pra gente. Sinto de perto a vitrola e as almofadas e os amores perdidos ali na sala. Não to falando de perdidos no sentido de não tê-los mais. Estou dizendo que serão tantos amores que eles vão se sentar na sala e se perder. Comigo. Eu nem sou poeta nem nada, só preciso escoar em alguém, só quero dizer que é como se tudo tivesse começando de novo. Hey Jude, é um sebo de livros essa nossa vida. Tudo que é amarelado e antigo dá prazer. Mas o que vai vir, os livros que ainda vão chegar, que vão ficar amarelados e antigos alguma hora, ah, esses deixam muitas estrelas por dentro também.


Samba, samba, samba pra me aquecer. Se todo mundo sambasse...

Quarta-feira, Fevereiro 4

Ai, sampa. Sorriso, coisa boa, alívio. Um frio na barriga, uns brindes comemorando. Quero abrir os olhos quando estiver lá. Demais. Felicidade. Morangos. Agora o soninho dos bêbados, que eu mereço vai.
' alimento a alma das pessoas com pedaços da minha '

Segunda-feira, Fevereiro 2

Acordei com uma ânsia por palavras, um desespero estranho, uma paz torta - ainda. Meu peito disparando, disparando, e sei lá se isso vai continuar. Me lembra quando você me disse que tava sentindo meu coração. Ele grita, né? Você sentiu meu universo também. Mas eu sigo sozinha. Dando risada de quem gosta das coisas fáceis. 

Semana passada eu li que dor é liberdade.
Olha, eu sei que pode ser culpa dessa dor de cabeça que não vai embora desde anteontem, aliás, pra porra por a culpa em alguma coisa. Esse caos que eu sou, é pra ser. A culpa é minha então, e hoje, não sei como, estou me dando bem com essa culpa. Bah, chega de falar dela. Fiquei ouvindo que já fingi ser melhor, aprendi a ser pior. Deixa, eu estou transbordando, não só por mim, mergulhei na felicidade de todo mundo, compartilhar isso é tão. É tão. Foda. Tirando o acúmulo de chuva e calor oscilando por dentro, eu to sentindo uma paz estranha, uma paz totalmente desnorteada, como eu. Eu vi as gotas fortes no vidro e agradeci a Cuyaba por estar sentindo junto comigo, o calor e a chuva. Chove pouco, faz muito calor. Nessa cidade e em mim. Mas quando chove vale a pena. Apesar de que to com tanta saudade de São Paulo, aquela cidade cinza onde todo mundo anda com os olhos cansados. São Paulo é introspectiva, juro. Quem vai pra lá entende, não tem como sair. O trânsito barulhento, a garoa todo dia, as manhãs que me fazem colocar um casaco e tomar um leite quente e pensar que a merda do metrô vai estar lotada de gente desesperada. Lendo parece brincadeira eu amar tanto aquele lugar. Só que até o ar puro daqui já ta me enjoando. Quero toda aquela fumaça e aquele friozão na Paulista e andar, andar e andar enquanto amanhece tomando duas latinhas enquanto a pontinha do nariz tá congelando. Cuyaba é minha casa, São Paulo sou eu. A respiração ta calminha agora, durante o dia ficou teimando, queria ficar mais rápida que nem o coração, que também parecia que tomou um porre. A cada cinco minutos mudando, nem que seja a fronha do travesseiro, mas no fim eu sou a mesma. Nova e Igual. Janeiro deixou a garganta louca e o corpo com uma impulsão fodida. Muito vai ficar desses desvarios. E muito vai sumir. Muito, sempre muito, ainda sou esse êxtase sem fim. Comecinho de fevereiro e hoje eu to pensando que dá vontande de sair voando, não dá?

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